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Paulo Ghiraldelli Jr.

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A Educação Sexual da Menina

10 10 2008 Pal Fried (1893-1976) Cabelos Negros (1940)Pal Fried (1893-1976) Cabelos Negros (1940)Sabemos pouco sobre Pitágoras. E se ele é esse desconhecido, imagine então a sua nora. Não se pode, portanto, tirar o mérito de inteligência de Montaigne que, citando essa mulher, escreveu o que deveria ser o dístico de toda a civilização ocidental moderna. A nora de Pitágoras, conta Montaigne em “A força da imaginação”, dizia que “a mulher que dorme com um homem deve, ao tirar a saia, despir-se de pudor, e somente o reencontrar ao vestir-se”[1].Feliz foi o filho de Pitágoras, concluímos então. Pois todos nós, contemporâneos, imitamos os modernos no nosso crescente ímpeto de colocar a felicidade como o sinônimo de prazer. Somos hedonistas capengas, mas fizemos uma boa coisa ao termos o nosso hedonismo, ainda que empobrecido. Antes algum hedonismo que nenhum. E o êxito na cama depende de desenvoltura corporal; disposição no afastamento da timidez. Trata-se do fim temporário do pudor.O homem (ocidental, com algum juízo) tem abdicado de preferir mulheres virgens. Os homens já não querem mais as mulheres experientes da zona de meretrício, querem noivas e esposas experientes. Não é para elas ficarem contando como que foi esta ou aquela penetração anterior – embora isso excite boa parte dos homens –, mas certamente, ou elas sabem fazer o que a nora de Pitágoras dizia saber, ou as coisas podem começar a se complicar antes da “crise dos sete anos” (é provável que tal crise seja provocada pelos filhos). Há um imperativo em nossa época que não é mais o Sapere Aude! kantiano, o “ousai saber!”, e sim o “seja feliz!”. Agora, esse seja feliz não está vinculado ao ideal de uma vida feliz mensurada após a morte, como quiseram os antigos, e até como, de certo modo, avaliou Montaigne. Queremos a felicidade às 10 da noite. E o ideal é que seja toda noite. Dessa forma, o mundo contemporâneo é o mundo em que as pessoas ou gostam de sexo ou estão em péssima situação.Mas pode haver quem não goste de sexo? Há! É não é pouca gente. Há uma parte das mulheres que não tem prazer suficiente para poder gostar de sexo. E uma parte dessa parte está preocupada em vir a gostar de sexo. Para estas e, enfim, até para as que gostam e sentem, mas querem sentir mais, há o G-shot. É uma injeção de colágeno no interior da vagina, com o intuito de ampliar a zona erógena chamada de G-spot ou, entre nós brasileiros, o “ponto G”.Ah, mas o que é o “ponto G”? Não sabe? Não, não, não estou brincando não, o G aí não é de Ghiraldelli. É G de Gräfenberg. Este médico alemão, Ernst Gräfenberg (1891-1957), foi o homem que descobriu o “local” em que o prazer é máximo no interior da vagina e, enfim, o campo que parece, durante o orgasmo, circunscrevê-lo.  Ele publicou seus estudos sobre orgasmo em 1950, já nos Estados Unidos. Mas não pensem vocês que o G-Spot já é um cinqüentão. Com esse nome, Ponto G, ele apareceu somente em 1981, quando médicos americanos realmente assim o denominaram, em homenagem ao alemão.Ninguém em sã consciência, hoje em dia, nega a existência do Ponto G. E é necessário ser bem inexperiente sexualmente para não encontrá-lo, quanto aos homens. Agora, quanto às mulheres, a busca pelo Ponto G pode ser uma decepção, pois ele não é encontrado senão por meio da existência de uma predisposição para a sensação. A menina passa a mão no interior da vagina, e eis que procura, procura e procura e não sente nada. Isso é raro? As estatísticas mentem, elas ainda não informam tudo que poderíamos e deveríamos saber. Mas, como se diz por aí, quem procura acha. Então, não raro, muitos imaginam que a menina que realmente não acha o Ponto G é aquela que nunca vai achar, uma vez que ela tem pouca sensibilidade ou nenhuma. Algo já teria ocorrido em sua educação capaz de tirá-la da jogada. Ela já seria uma séria candidata a ser uma pessoa ranzinza. Isso é verdade? Infelizmente, há indícios de que isso é verdade, mesmo com nossas estatísticas pouco confiáveis.Todavia, é preciso lembrar que nossa concepção de sexo não deixa de ser romântica e, talvez, errônea. Muitos imaginam que nascemos sem sexo, e que o correto é irmos ganhando sexualidade até nos tornarmos “bolas de sexo”, ou melhor, bolas de amor. Ora, Freud montou outro retrato de nós mesmos: nascemos com uma sensibilidade e capacidade de prazer libidinal difuso, e passamos por estágios que vão na direção da genitalização do prazer. Até o momento de fixarmos o prazer (máximo) nos espasmos do gozo, que tem a ver com o Ponto G.A tal injeção de colágeno poderia resolver a insensibilidade ou a pouca sensibilidade da mulher. Os cirurgiões plásticos que vendem tal produto e a prática de injetá-lo estão fazendo sucesso e garantem o serviço. Mas eles não podem garantir nada, nem mesmo as mulheres médicas que, porventura, tenham feito tais aplicações, podem garantir muita coisa. Tudo isso é questão de probabilidade, e estamos no início de tais estudos. Aliás, como também estamos no início dos estudos sobre “o Viagra feminino” e, até mesmo, sobre o próprio Viagra como remédio para mulheres – o que as mulheres americanas estão experimentando já há algum tempo.Independentemente disso, o fato é que o lema da nora de Pitágoras vale, e valerá cada dia mais daqui para diante. A mulher tem de ser sexy. Mas não sexy como manequim. Ela tem de ser “boa de cama”. Essa ditadura caiu sobre a mulher, exatamente por que ela pediu a liberdade. Ao ficar livre, ou aparentemente livre, já que o que ganhou foi o mercado de trabalho, ela passou a ser vista como igual ao homem, podendo acumular experiências sexuais. Então, agora, uma vez na cama, que mostre o que aprendeu. Caso não mostre, bem, é necessário um pouco de paciência do marido ou do namorado. Mas, se teimar em não se apresentar como aconselhava a Nora de Pitágoras, pode terminar sozinha. E as mulheres definitivamente não querem ficar sozinhas. Elas são compulsivamente casamenteiras.Eis que então estamos todos na dependência dessa injeção – G-shot na vagina. É o necessário.Todavia, penso que para sermos contemporâneos de nosso tempo, só o G-shot não vai resolver, se é que ele pode resolver. Há alguns componentes que precisam ser avaliados em nossa sociedade, ou reavaliados. E acho que os pais que tem filhas bem pequenas, deveriam começar a pensar na felicidade delas seriamente. Uma educação sexual inteligente se faz necessária. Vivemos em um mundo que parece mais livre que o dos anos 60 e 70. As meninas vão a festas onde fazem sexo no banheiro do local ou até na própria dança – isso na periferia das grandes cidades. Na classe média, apesar das grandes cidades não oferecerem segurança, motéis e viagens dos pais permitem às meninas o sexo mais livre do que foi no passado. Além disso, não temos só a pílula regular, mas a “pílula do dia seguinte”. E temos a camisinha, ainda que esta, nas atuais circunstâncias, seja intencionalmente usada mais como um preservativo contra doenças que contra a gravidez; o seu subproduto é que é para evitar a gravidez. Tudo isso faz com que os pais se assustem com a liberdade sexual das filhas. E junto disso vem o fato de que os jovens, atualmente – e me refiro também aos pais –, são religiosos. A religião vem crescendo no Brasil. Então, o medo e as travas religiosas criam enormes barreiras para os pais, e eles devolvem isso sobre as crianças que, por sua vez, são estimuladas sexualmente mais cedo. E os próprios jovens, envolvidos crescentemente com religião, também ganham novas travas, ao mesmo tempo em que o sexo está em toda parte como algo gostoso, bom e saudável. Pronto: há angústia suficiente nisso, de todo lado, para gerar pessoas mutiladas não pela repressão, e sim pela angústia entre estímulos crescentes e incapacidade de saber se o cultivo de tais estímulos são moralmente corretos.Enquanto os pais não educarem suas meninas para tomarem tudo que é relativo ao sexo não como algo normal, mas como o que dá prazer e, então, como uma atividade que todos querem fazer mais do que fazem, e que isso é justo e legítimo, vamos ter no futuro mais e mais invenções dessas, do tipo do G-shot. Ou seja, vamos ter mais e mais medicinas para resolver um problema criado por essa ambigüidade entre o prazer que se quer ter e as dúvidas sobre se é correto tê-lo.O que os pais precisam saber não é como “ter um papo cabeça sobre sexo” com os filhos. Ninguém que tenha algum juízo irá fazer isso. Com filho não há diálogo. Quem pensa que há, ou é desmemoriado ou é bobo. Um bom pai de meninas tem atitudes práticas: não perturba a cabeça da menina quando é criança, deixa que ela namore em casa lá pelos 11 ou 12 ou 14 anos (cada menina tem sua fase) e, enfim, compra para ela camisinha. Se tiver que conversar, que diga apenas uma frase: use camisinha mesmo confiando no namorado, pois AIDS mata. E mata mesmo. Ou o pai age assim, ou vai gerar problema para si mesmo. Mais que isso ou menos que isso, ou é bobagem ou é danoso. O resto, vem da sorte.O problema do uso ou não do G-shot é então um problema ético e pedagógico. Mas não para quem vai ganhar a injeção, e sim com quem educa crianças para que elas não venham a precisar disso. Nossa conduta precisa ser tão livre quanto os tempos exigem. Caso não possamos fazer isso, talvez tenhamos a triste surpresa de descobrir, um dia, que nossos filhos se tornaram pessoas infelizes, mesmo com o G-shot. Será tarde, talvez. Aí, o conselho da Nora de Pitágoras terá pouca ou nenhuma utilidade.Paulo Ghiraldelli Jr., filósofoCEFA, Centro de Estudos em Filosofia AmericanaPortal Brasileiro da FilosofiaLivro novo do filósofo [1] Montaigne, M. Ensaios I. In: Montaigne. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1991, p. 51. Comentários : Nenhum comentário » Tags: Freud, sexo, religião, ponto G, G-shot, Pitágoras, Montaigne, educação sexual, meninas, repressão Categorias : educação, filosofia

Para além de Giannotti e Chauí

4 10 2008 A época dos filósofos brasileiros atrelados ao Estado precisa passar. Mas não é só por isso que deveríamos fazer filosofia política, voltada para os problemas do Brasil, para além do perspectivado pelos professores de filosofia José Arthur Gianotti e Marilena de Souza Chauí. Antes que ultrapassá-los quanto ao comportamento que adotaram para fazer política, o bom seria que pudéssemos ir além do que defenderam em suas teses a respeito da política brasileira. Ficar com eles é repetir um dilema que se tornou cansativo. Um dilema que foi bem avaliado pelo personagem do delegado, em Agosto, de Rubem Fonseca. Em determinado momento perguntam para o delegado se ele é getulista ou lacerdista, ao que ele responde: “mas só existe essas duas merdas?” Pois é esse nosso dilema cansativo: ou a UDN elitista, de um lado, acusando o varguismo de corrupção – e não raro acertando – ou o varguismo populista no Estado, mostrando que a UDN não pode ganhar eleição porque não consegue melhorar a vida da população mais pobre. Populismo e elitismo que, para os intelectuais, na linguagem de hoje, é lido como “esquerda” versus “neoliberalismo”, é a meu ver uma dicotomia carcomida.  Giannotti e Chauí estiveram apoiando seus amigos respectivos, Fernando Henrique e Lula, mesmo quando ambos agiram de modo eticamente errado, por entenderem que tais presidentes estavam acima da ética. Estavam governando para o Brasil que queriam ver. Que Brasil? Para eles, seria um Brasil melhor e, portanto, esses seus amigos deveriam ser perdoados por pequenos pecados, mesmo que os pequenos pecados, uma vez avaliados por terceiros, fossem realmente grandes.  Giannotti apareceu na TV, na primeira vitória de FHC para Presidente, para dizer que o sociólogo iria governar com a esquerda, segurando em um braço a direita, e assim fazendo a política do “pêndulo”, que Vargas teria feito. Com isso FHC conseguiria o que era a honra e o trunfo do PSDB: a governabilidade. Feito isso, haveria a luta pela continuidade da estabilização da moeda, as reformas necessárias e, então, o país como um todo seria beneficiado. Ou adotávamos tal projeto ou iríamos amargar o pior. O pior era o PFL sozinho. E o pior mesmo, ele vociferava, era o PT sozinho. O PFL sem o comando de FHC seria a volta total ao coronelismo de direita, e o PT no governo seria a “crise de governabilidade”. Foi assim que Giannotti profetizou. Marilena Chauí fez algo parecido, e não com menor tom religioso. Quando da crise do “mensalão”, com Lula dizendo na cara de todos nós, como se fôssemos idiotas, que ele “não sabia de nada”, Chauí defendeu o PT dizendo que ou cerrávamos fileiras em torno de Lula ou teríamos o “golpe”. Justamente ela, que tanto escreveu contra o populismo, começou a evocar fantasmas dos anos 50 e início dos anos 60. Reeditou a idéia do eterno golpe de Lacerda contra o PTB, agora batizado de PT. Tudo bem, talvez até estivesse correta sobre o golpe. Afinal, o próprio FHC retrocedeu diante de pedido de “Impeachment” de Lula, quando verificou que o PSDB não tinha apoio popular.  Aliás, podemos ver Giannotti como não equivocado ao dizer que a governabilidade de FHC iria deixá-lo levar adiante a estabilidade da moeda; assim, também poderíamos ser mais condescendentes com Chauí, e então diríamos que ela não tinha outra saída a não ser argumentar de modo a não trair o seu amigo Lula. É louvável. Mas o problema de Chauí e que se esqueceu de voltar sua crítica para o próprio PT. Deveria ter visto que o PT havia se transformado exatamente no partido populista que seu discurso quis, durante vinte anos, convencer a nós todos que ele não era. O PT queria ser uma “nova esquerda”. Mas, ao final, não se mostrou nada novo. Não repetiu o PCB, mas repetiu Vargas e o PTB. O que seria pior?  É interessante notar, também no caso de Chauí, que ela tenha evocado a mesma palavra de Giannotti: “governabilidade” – era isto que a “direita”, então no PSDB, estava tentado inviabilizar para barrar as “forças progressistas”, segundo seu discurso. Giannotti e Chauí se copiaram. E seus amigos, talvez para se mostrarem homens de bom humor, os colocaram em cargos decorativos no Conselho de Educação. Não vamos aqui alinhavar o quanto esses dois discursos, de Giannotti e Chauí, nada tinham de filosóficos, em um sentido forte da palavra. Mas vamos lembrar que, batizadas com o nome de filosofia, certas peças ideológicas podem realmente sobreviver legitimamente, pois não são inteiramente ideológicas. Há verdade no que Giannotti e Chauí disseram. E há algo de filosofia nisso. A ideologia engana, mas não por gerar uma mentira completa. O problema todo é que, tendo vindo tais discursos da boca de professores de filosofia que, inclusive, não raro, se colocam como “filósofos brasileiros”, esses discursos acabaram por vincular o pensamento filosófico voltado para problemas brasileiros a tais teses carcomidas. Fora dos livros, nos artigos jornalísticos – que também são espaços de construção de nossa filosofia política – esses dois discursos foram amarrados e oferecidos com a autoridade de quem escreve livros. Ora, no frigir dos ovos, pelas concordâncias e discordâncias, tanto Chauí quanto Giannotti nos apresentaram um quadro que, em determinados momentos, afirmava: nada há no horizonte, ao menos no momento, senão a velha luta entre populismo como sendo a opção da esquerda e elitismo lacerdista como sendo a opção da direita. E como dizia Theodor Adorno, às vezes a realidade é tão crua que só a teoria mais endurecida e pobre, a mais crua, reproduz a realidade. É o caso. Em determinados momentos, Chauí e Giannotti acertaram antes pelo que não quiseram ver do que por aquilo que viram. E parece que essa dicotomia que apontaram, existe mesmo, ainda que não do modo que apontaram. De fato, o que temos hoje no horizonte senão algo que lembra a velha luta dos anos 50 que, enfim, os militares em 1964 quiseram extirpar? Estamos em situação diferente? Temos o PSDB lacerdista acovardado diante de 80% de preferência popular de Lula, o Vargas sem diploma. Ora, como podem nossos professores de filosofia aderir ou ao projeto de Giannotti ou ao projeto de Chauí e não conseguirem, como autênticos filósofos, falar algo de diferente? Não é possível que nossa filosofia não possa dizer algo como o delegado de Agosto. Estabilização da moeda era o forte de FHC. Mas, agora, restou ao PSDB o discurso lacerdista, cada vez mais enfraquecido, sobre a corrupção de Lula. E, de vez em quando, FHC tem de reaparecer para defender a privatização que levou adiante. Seu amigo Giannotti não tem mais servido de escudeiro? Do lado de Lula, o que há de concreto é que ele se vangloria de elevar o padrão de vida do brasileiro, mas, de fato, o que ele fez foi ampliar a renda de uma parte da pobreza, sem cuidar dessa população. A qualquer momento, uma pequena crise financeira ou mesmo uma alteração tecnológica pode jogar essa população de volta ao campo dos excluídos. Além disso, o mecanismo de transferência de renda via bolsa é limitado e, pior, cria vícios para a democracia que reproduzem os do paternalismo do trabalhismo do passado. Sua amiga Chauí está quieta, não vai mais proteger Lula? Ele não precisa, por estar com Ibope alto? Ou bateu alguma dor na consciência da professora de ética? Assim, o que restou das obras de FHC e Lula não nos levam ao otimismo. Mas o que restou da apologia de ambos, feitas pelos seus ideólogos, Giannotti e Chauí, é bem pior. Agradecemos FHC e Lula pelo que acertaram em seus governos, mas não sei se podemos fazer o mesmo em relação aos seus ideólogos. Giannotti e Chauí realmente poderiam se aposentar de vez. E agora, seria a hora exata, pois é também a hora de aposentadoria de FHC e Lula. Pois não dá mais. Os discursos e atos dos quatro deixaram de ser úteis. São reiterativos, cansativos e, enfim, o que tinham de falso está agora claramente estampado (e o de verdadeiro também, como acentuei). Essa dicotomia bem qualificada pelo delegado de Rubem Fonseca esgotou suas possibilidades. A filosofia política brasileira deve projetar novo horizonte, e a prática política brasileira precisa ser empurrada para algo que vá adiante disso. Precisamos começar a pensar na infra-estrutura do país seriamente, a olhar de modo menos fantasioso para a qualificação intelectual do brasileiro, a adotar uma visão menos jocosa para a preservação de nosso solo e, enfim, a construirmos um projeto de aprofundamento de nossa democracia. Esses são elementos que ficaram relegados ao último plano por FHC e Lula, e mais ainda pelos intelectuais que os defenderam. Ora, podemos perdoar FHC e Lula por isso. Fizeram “o que deu”, dizem alguns. Mas não podemos ficar mais com Giannotti e Chauí como filósofos oficiais da oposição e situação, pois eles não estão fazendo “o que dá”, eles pensam aquém do que precisamos pensar. E a questão não é criar indisposição contra eles dois, mas é a de ver que o modo como eles se portaram como intelectuais estava mais preso aos anos 50 do que inicialmente imaginávamos ou podíamos enxergar. Em outras palavras: o ideal seria não contarmos mais com filósofos como filósofos oficiais.  Não que a filosofia deva “bater em retirada” e voltar para a academia. Muito menos deveríamos falar aos jovens que há algum mérito em colóquios e encontrinhos da ANPOF que já não exista na própria sala de aula regular. A filosofia deveria munir-se de uma palavra chave para contribuir daqui para diante com a política brasileira: independência de pensamento. Que tal pensarmos a filosofia política voltada para o Brasil segundo uma revisão de prioridades? Ou o passado não passa? Paulo Ghiraldelli Jr., filósofoCEFA - Centro de Estudos em Filosofia Americana Livro novo do filósofo   Comentários : 1 Comentário » Tags: brasil, Chauí, democracia, Filosofia Política, Giannotti, Lula Categorias : filosofia, política « ítens Anteriores

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